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Biomas do Brasil (Parte 1).



Antes de tudo… O que é um bioma?


O termo “bioma” deriva de bios, que significa vida, e oma, equivalente a massa ou grupo. Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1943 pelo botânico norte-americano Frederic Edward Clements, definindo-o como uma unidade biológica ou espaço geográfico, cujas características específicas são definidas pelo macroclima (clima que afeta uma grande região ou continente), a fitofisionomia (tipo de vegetação típica de uma região), o solo e a altitude. Mas, com o passar dos anos, a definição do que é um bioma passou a variar de autor para autor.


Atualmente, biomas são agrupamentos de tipos de vegetação vizinhos que apresentam condições geográficas e climáticas semelhantes. Em outras palavras, são reuniões de ecossistemas agrupados de acordo com aspectos de vegetação, relevo e clima. A classificação dessas grandes formações vegetais em biomas começou a surgir após a percepção de que várias regiões do planeta possuem diversidades biológicas (ecossistemas) similares, mesmo quando estavam em continentes diferentes.


Quais são os biomas que ocorrem no Brasil?


O Brasil é dono de uma das biodiversidades mais ricas do mundo, possui as maiores reservas de água doce e um terço das florestas tropicais que ainda restam. Aqui, existem sete biomas principais: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata atlântica, Campos do Sul (Pampa), Pantanal e Zonas costeiras: veja na imagem abaixo! Vamos conhecer um pouco sobre as principais características de cada um? Neste primeiro texto, veremos sobre os itens de 1 a 4 da foto ao lado.



Mapa do Brasil ilustrando os principais biomas que ocorrem no brasil e zonas de transição. Fonte: wwf.org






Amazônia


Na Amazônia vivem e se reproduzem mais de um terço das espécies existentes no planeta. Apesar dessa riqueza, o ecossistema local é frágil: a menor imprudência pode causar danos irreversíveis ao seu equilíbrio delicado.

Distribuição geográfica: Corresponde a mais de 40% do território nacional e abrange os territórios do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, e parte do território do Maranhão, Mato Grosso, Foto de Aline Freiria

Rondônia e Tocantins.




Vegetação e Flora: Abriga 2.500 espécies de árvores (um terço da madeira tropical do planeta) e 30 mil das 100 mil espécies de plantas que existem em toda a América Latina. A vegetação divide-se em três categorias: matas de terra firme, matas de várzea e matas de igapó.

  • Terra firme: são aquelas que estão em regiões mais altas e por este motivo não são inundadas pelos rios. Nelas estão árvores de grande porte, como a castanheira-do-pará e a palmeira.

  • Matas de várzea: são as que sofrem com inundações em determinados períodos do ano. Na parte mais elevada desse tipo de mata, o tempo de inundação é curto e a vegetação é parecida com a das matas de terra firme. Nas regiões planas, que permanecem inundadas por mais tempo, a vegetação é semelhante a das matas de igapó.

  • Matas de igapó: são as que estão situadas em terrenos mais baixos. Estão quase sempre inundadas. Nelas a vegetação é baixa: arbustos, cipós e musgos são exemplos de plantas comuns nestas áreas. É nas matas de igapó que encontramos a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia.


Fauna: Nesse bioma existem cerca de trinta milhões de espécies animais! Isso além das espécies que ainda não foram encontradas e estudadas pelos cientistas. Nas águas amazônicas estão 85% das espécies de peixes de toda a América do Sul. Os insetos estão presentes em todos os estratos da floresta e possuem grande importância para o equilíbrio desse ecossistema. Tucanos, beija-flores, araras, papagaios, periquitos, jacus, gaviões, corujas e centenas de pequenas aves, jabutis, cotias, pacas, antas, são parte dos animais encontrados nesse bioma. Os mamíferos herbívoros aproveitam a produtividade sazonal dos alimentos, como os frutos caídos das árvores. Esses animais, por sua vez, servem de alimento para os animais caçadores, como os grandes felinos e as cobras de grande porte.


Hidrografia: Aqui fica a maior bacia hidrográfica do mundo com 1.100 afluentes. Seu principal rio, o Amazonas, corta a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando no mar, a cada segundo, cerca de 175 milhões de litros de água.


Clima e solo: Na região amazônica chove bastante e a temperatura é elevada, normalmente variando entre 22ºC e 28ºC. Clima equatorial úmido e o solo é em geral bastante arenoso.


Recursos e população: É uma região vasta e rica em recursos naturais: tem grandes estoques de madeira, borracha, castanha, peixe, minérios e outros, com baixa densidade demográfica e crescente urbanização. Sua riqueza cultural inclui o conhecimento tradicional sobre os usos e a forma de explorar esses recursos sem esgotá-los nem destruir o habitat natural.


Ameaças e Conservação: O desmatamento, as queimadas, a garimpagem, o agropastoreio e a biopirataria representam riscos ao bioma amazônico. O conjunto formado por essas ações devastadoras é responsável por graves mudanças climáticas em todo o planeta, como o aquecimento global. A Amazônia é considerada um grande “resfriador” atmosférico e como maior abrigo da biodiversidade do mundo.

Caatinga


É considerada uma das regiões naturais mais distintas da América do Sul, com uma combinação única de características físicas e biológicas. Esse bioma é exclusivamente brasileiro.


Foto de Diego Cavalheri


Distribuição geográfica: Ocupa quase 10% do território nacional. Abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais.


Vegetação e Flora: Apresenta três estratos: arbóreo, arbustivo e herbáceo. Plantas da caatinga são conhecidas por forte adaptação a secas, sendo classificadas como xerófitas. A perda de folhas e a modificação das folhas em espinhos, com caules que acumulam água (cladódios) são características típicas da vegetação desse bioma. Algumas das espécies mais comuns da região são a amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro.


Fauna: Nesse bioma vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção. Outros animais da região são o sapo-cururu, asa-branca, cotia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatu-peba e o sagüi-do-nordeste, entre outros.


Hidrografia: Os rios regionais saem das bordas das chapadas, percorrem extensas depressões entre os planaltos quentes e secos e acabam chegando ao mar, ou engrossando as águas do São Francisco e do Parnaíba (rios que cruzam a Caatinga). Das cabeceiras até as proximidades do mar, os rios com nascente na região permanecem secos por cinco a sete meses do ano. Apenas o canal principal do São Francisco mantém seu fluxo através dos sertões, com águas trazidas de outras regiões climáticas e hídricas.


Clima e solo: Clima semi-árido e solo raso e pedregoso. Quando chove, no início do ano, a paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas e a fauna volta a engordar. Mesmo quando chove, o solo por ser pedregoso não consegue armazenar a água que cai, e a temperatura elevada (médias entre 25°C e 29°C) provoca intensa evaporação. Na longa estiagem os sertões são, muitas vezes, semi desertos que, apesar do tempo nublado, não costumam receber chuva.


Recursos e população: Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem na região coberta pela Caatinga. No meio de tanta aridez, esse bioma surpreende com suas "ilhas de umidade" e solos férteis. São os chamados brejos, que quebram a monotonia das condições físicas e geológicas dos sertões. Nessas ilhas é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos trópicos do mundo. Essas áreas normalmente localizam-se próximas às serras, onde a abundância de chuvas é maior. Quando não chove, o homem do sertão e sua família precisam caminhar quilômetros em busca da água dos açudes. A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo.


Ameaças e conservação: Apesar de sua grande importância ecológica, calcula-se que cerca de 40 mil km² da Caatinga já foram transformados em um ambiente quase desértico. Além da disponibilidade hídrica ser o principal recurso limitante no ambiente semiárido, os problemas ambientais se agravam pelas características climáticas associadas à ação humana e tornam ainda mais frágil o equilíbrio ecológico, proporcionando implicações negativas para os recursos ambientais e consequentemente para a qualidade de vida dos habitantes. A agricultura, a caça, desmatamento, desertificação, extrativismo, mineração, pecuária e a construção de barragens e usinas elétricas, estão entre as principais atividades que causam danos à Caatinga.


Pampa (Campos Sulinos)


Distribuição geográfica: Se estende do Rio Grande do Sul para além das fronteiras com a Argentina e o Uruguai. o Bioma Pampa ocupa uma área de cerca de 2% do território nacional. No Brasil, o Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho e também porções dos

Foto de Cristian Costa territórios da Argentina e Uruguai.


Vegetação e Flora: Constituído principalmente por vegetação campestre (gramíneas, herbáceas e algumas árvores).


Fauna: Os banhados criam um habitat ideal para uma grande variedade de animais como garças, marrecos, veados, on


ças-pintadas, lontras e capivaras. O banhado do Taim é o mais importante, devido à riqueza do solo.


Clima e solo: O solo é revestido de gramíneas, subarbustos e ervas. O solo, em geral, é de baixa fertilidade natural e bastante suscetível à erosão. É uma região de clima temperado, com temperaturas médias de 18°C.


Recursos e população: A região sul tem, na pecuária, uma tradição que se iniciou com a colonização do Brasil.


Ameaças e Conservação: A ação de caçadores e o bombeamento das águas pelos fazendeiros das redondezas continuam a ameaçar o local. A pressão do pastoreio e os incêndios não permitem o estabelecimento da vegetação arbustiva, como se verifica em vários trechos da área de distribuição dos Campos do Sul.


Cerrado


Distribuição geográfica: O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira, superado apenas pela Floresta Amazônica. Está espalhado por 10 estados, correspondendo a 23,1% do território brasileiro.


Autor: Martinelli73 | Crédito: Getty

Images/iStockphoto


Vegetação e Flora: O Cerrado é uma savana tropical na qual a vegetação herbácea coexiste com mais de 420 espécies de árvores e arbustos esparsos. Este bioma também se caracteriza por suas diferentes paisagens, que vão desde o cerradão (com árvores altas, densidade maior e composição distinta), passando pelo cerrado mais comum no Brasil central (com árvores baixas e esparsas), até o campo cerrado, campo sujo e campo limpo (com progressiva redução da densidade arbórea). Ao longo dos rios há fisionomias florestais, conhecidas como florestas de galeria ou matas ciliares. Estima-se que a flora da região possua 10 mil espécies de plantas diferentes.


Fauna: Existem 759 espécies de aves que se reproduzem na região, 180 espécies de répteis, 195 de mamíferos, sendo 30 tipos de morcegos catalogados na área. O número de insetos é surpreendente: apenas na área do Distrito Federal há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 tipos diferentes de abelhas e vespas. A heterogeneidade da vegetação abrange muitas comunidades de mamíferos e de invertebrados, além de uma importante diversidade de microorganismos, tais como fungos associados às plantas da região.