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Biomas do Brasil (Parte 2).


Na parte 1 deste texto, falamos um pouco sobre a Amazônia, Caatinga, Campos Sulinos e o Cerrado. Se não viu, clique aqui para acompanhar o conteúdo.


Hoje, daremos continuidade com os biomas da Mata Atlântica, Pantanal, Zona Costeira e algumas das principais Zonas de Transição. Uma dica: acompanhe a distribuição geográfica dos biomas pela imagem ao lado!


Mapa do Brasil ilustrando os principais biomas que ocorrem no brasil e zonas de transição. Fonte: wwf.org









5. Mata Atlântica

Apesar da devastação sofrida, a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se abrigam na Mata Atlântica é espantosa. Em alguns trechos remanescentes de floresta os níveis de biodiversidade são considerados os maiores do planeta.



Floresta do Caparaó, Mata Atlântica. Foto de Heris Luiz Cordeiro Rocha.

Fonte: Wikimedia Commons. Este arquivo é licenciado sob a licença ‎‎Creative

Commons‎‎ ‎‎Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC BY-SA 3.0)


Distribuição geográfica: Este bioma ocupava uma área que correspondia a 15% do território nacional mas hoje restam cerca de ⅛ da floresta que existia originalmente. É constituída principalmente por mata ao longo da costa litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, passa pelos territórios dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, e parte do território do estado de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.


Vegetação e Flora: Espécies imponentes de árvores são encontradas no que ainda resta deste bioma, como o jequitibá-rosa, que pode chegar a 40 metros de altura e 4 metros de diâmetro. Também destacam-se nesse cenário várias outras espécies: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as figueiras, os ipês, a braúna e o pau-brasil, entre muitas outras. Na diversidade da Mata Atlântica são encontradas matas de altitude, como a Serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.600 metros), onde a neblina é constante.


Fauna: É o que mais impressiona na região. A maior parte das espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção ocorrem na Mata Atlântica, como os micos-leões, a lontra, a onça-pintada, o tatu-canastra e a arara-azul-pequena. Além desta lista, também vivem na região gambás, tamanduás, preguiças, antas, veados, cotias, quatis e uma das serpentes mais raras do mundo: a jiboia-do-ribeira. Clima e solo: Alto índice pluviométrico devido às chuvas de encosta causadas pelas montanhas que barram a passagem das nuvens.


Hidrografia: Na Mata Atlântica estão localizadas sete das nove grandes bacias hidrográficas do Brasil, alimentadas pelos rios São Francisco, Paraíba do Sul, Doce, Ribeira de Iguape e Paraná. As florestas asseguram a quantidade e qualidade da água potável que abastece mais de 110 milhões de brasileiros em aproximadamente 3,4 mil municípios inseridos no bioma.


Recursos e população: Cerca de 70% da população brasileira vive no território da Mata Atlântica. As nascentes e mananciais abastecem as cidades, sendo um dos fatores que tem contribuído com os problemas de crise hídrica, associados à escassez, ao desperdício, à má utilização da água, ao desmatamento e à poluição. As atividades humanas desenvolvidas dentro do bioma também dependem da água para a manutenção da agricultura, da pesca, da indústria, do comércio, do turismo, da geração de energia, das atividades recreativas e de saneamento.


Ameaças Conservação: A caça, a pesca predatórias, a introdução de seres exóticos aos ecossistemas da Mata Atlântica e principalmente a deterioração dos habitats dos animais (que é resultado da expansão da agricultura e pecuária como também da urbanização e mal planejamento de obras de infra-estrutura), são as causas para o desaparecimento de espécies e indivíduos. A Constituição Federal de 1988 coloca a Mata Atlântica como patrimônio nacional, junto com a Floresta Amazônica brasileira, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. A derrubada da mata secundária é regulamentada por leis posteriores, já a derrubada da mata primária é proibida.


6. Pantanal

A região é uma planície aluvial afetada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai, onde se desenvolvem fauna e flora de rara beleza e abundância, e é influenciada por quatro outros grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica. Pelas suas características e importância, essa área foi reconhecida pela UNESCO (em 2000) como Reserva da Biosfera, por ser uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais da Terra.

Pantanal. Foto tirada e cedida por Diego Cavalheri


Distribuição geográfica: o Pantanal é uma região peculiar não só pelas suas belezas naturais como também pelo papel que desempenha na conservação da biodiversidade. Também chamado de “reino das águas”, esse imenso reservatório de água doce é muito importante para o suprimento de água, a estabilização do clima e a conservação do solo. Ocupa parte dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e estende-se pela Bolívia e Paraguai.


Fauna e Flora: O Pantanal possui uma rica biodiversidade. Jacarés, capivaras e onças estão entre os principais animais. Dentre as espécies de jacarés mais encontradas estão: o jacaré-do-Pantanal, o jacaré-comum e o jacaré-do-papo-amarelo. Também é possível encontrar diferentes cobras, como a sucuri, a jararaca e a jiboia, e o sinimbu, um tipo de lagarto. Existe ainda no pantanal uma infinidade de formigas, cupins, aranhas e mosquitos.


Clima e solo: O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta. O clima é marcado pelas altas temperaturas, grande índice pluviométrico, um verão quente e chuvoso e um inverno frio e seco. O bioma apresenta também, solos predominantemente arenosos, revestidos com forrageiras nativas, utilizado como áreas de pastagens para o gado.


Hidrografia: O rio Paraguai e seus afluentes percorrem o Pantanal, formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo para muitos peixes. Devido a baixa declividade desta planície no sentido norte-sul e leste-oeste, a água que cai nas cabeceiras do rio Paraguai chega a levar quatro meses ou mais para atravessar todo o Pantanal.


Recursos e população: As principais atividades econômicas do Pantanal são a pecuária, a pesca e o turismo.


Ameaças e Conservação: As maiores ameaças a este bioma são o desmatamento e o manejo inadequado de terras para agropecuária, a construção de hidrelétricas e o crescimento urbano e populacional. Para minimizar os impactos ambientais e socioeconômicos de atividades praticadas pelo homem no bioma, principalmente nos planaltos adjacentes, e assegurar que o Pantanal seja mantido como uma região produtiva e conservada, ao mesmo tempo, é preciso haver um planejamento que garanta a sustentabilidade dos recursos naturais desse importante bioma.


7. Zona Costeira

A Zona Costeira brasileira é extensa e variada. O Brasil possui uma linha contínua de costa com mais de 8 mil quilômetros de extensão, uma das maiores do mundo. Ao longo dessa faixa litorânea é possível identificar uma grande diversidade de paisagens como dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias. Dependendo da região, o aspecto é totalmente diferente do encontrado a poucos quilômetros de distância. Mesmo os ecossistemas que se repetem ao longo do litoral - como praias, restingas, lagoas e manguezais - apresentam diferentes espécies animais e vegetais. Isso se deve, basicamente, às diferenças climáticas e geológicas.


Zona Costeira. Foto tirada e cedida por Raphael Martins

  • litoral amazônico: se situa da foz do Rio Oiapoque ao Rio Parnaíba. É lamacento e tem em alguns trechos mais de 100 km de largura. Apresenta grande extensão de manguezais, assim como matas de várzeas de marés. Jacarés, guarás e muitas espécies de aves e crustáceos são alguns dos animais que vivem nesse trecho.

  • litoral nordestino: começa na foz do Rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É marcado por recifes calcários e arenitos, além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixa, movem-se com a ação do vento. Há ainda nessa área manguezais, restingas e matas. Nas águas do litoral nordestino vivem tartarugas e o peixe-boi marinho, ambos ameaçados de extinção.

  • litoral sudeste: do Recôncavo Baiano até São Paulo: a área mais densamente povoada e industrializada do país. Suas áreas características são as falésias, recifes, arenitos e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom escura). É dominado pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas. O ecossistema mais importante dessa área é o das matas de restingas. Nessa parte do litoral é possível encontrar espécies como a preguiça-de-coleira e o mico-sauá, dois animais ameaçados de extinção.

  • litoral sul: começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Cheio de banhados e manguezais, o ecossistema da região é riquíssimo em aves, mas há também outras espécies: ratão-do-banhado, lontras, capivaras etc.


Zonas de transição

São zonas com características específicas, existentes entre os principais biomas brasileiros. Algumas delas foram separadas para facilitar as tarefas e esforços de conservação. Em 2003, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) desenvolveu uma pesquisa que determinou as três principais zonas de transição (ecótonos) brasileiras:

  • 8. Amazônia/Caatinga: As florestas de babaçu do Maranhão situam-se nessa zona de transição. O babaçu (Orbignya phalerata mart) é uma palmeira nativa das regiões norte e nordeste do Brasil. O clima nessa área é bem mais úmido do que na Caatinga, com vegetação mais exuberante à medida em que se avança para o oeste. A vegetação natural é a mata dos cocais, onde se encontra a palmeira babaçu, da qual é extraído óleo utilizado na fabricação de cosméticos, margarinas, sabões e lubrificantes. A economia local é basicamente agrícola, predominando as plantações de arroz nos vales úmidos do estado do Maranhão. Na década de 80, no entanto, teve início o processo de industrialização da área, com a instalação de indústrias que constituem extensões dos projetos minerais da Amazônia.


Mata dos cocais. Foto de Otávio Nogueira. Fonte: Wikimedia Commons. Este arquivo é licenciado sob a licença Creative Commons‎‎ Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).


  • 9. Amazônia/Cerrado: aqui está a Mata Seca, ou floresta mesófila semidecídua. Representa uma forma florestal de manchas inclusas com características comuns do Cerrado, sendo por vezes contornadas ou ladeadas por manchas desse bioma.


Vista geral do tipo de vegetação florestal Mata Seca. Foto: José Felipe Ribeiro. Fonte: Embrapa. ‎Este arquivo é licenciado sob a licença CC Atribuição-Compartilhamento Semelhante 4.0 Internacional‎




  • 10. Cerrado/Caatinga: Nessa zona de transição podemos observar uma vegetação mais rica que a da Caatinga, com florestas de árvores de folhas secas. Naturalmente, o clima é mais seco que o do Cerrado, com solo mais ressecado e períodos mais intensos sem chuva. A maior parte desta área está na fronteira do Cerrado com o sertão, no interior de estados nordestinos.


Transição de biomas Cerrado - Caatinga. Foto de A. Duarte. Fonte: Flickr.com. ‎Este arquivo é licenciado sob a licença Creative Commons‎‎ Atribuição-Compartilha Igual 2.0 Genérica (CC BY-SA 2.0).