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Classificação dos Seres Vivos



Como os organismos se classificam?


Existe um número gigantesco de seres vivos no nosso planeta, isso pode não ser muita novidade, não é? Mas você sabia que desde o menor ao maior organismo vivo, todos são “divididos” em grupos?


Há muito tempo atrás, no século 4.a.C, o filósofo grego Aristóteles reconheceu algumas características em comum entre certos organismos e concluiu que todos os seres vivos poderiam ser organizados em uma escala ou hierarquia, desde características mais simples até as mais complexas. Reconheceu a dicotomia entre dois grandes grupos: o das plantas, seres que não se movem, e o dos animais, que se movem. Ele dedicou atenção especial ao estudo dos animais, publicando o Historia animalium (História dos animais), e descreveu cerca de 500 tipos diferentes de animais. Essa foi a “Primeira fase da classificação dos seres”.


Nessa época, não existiam microscópios e então não se tinha conhecimento de organismos que não pudessem ser vistos a olho nú. Com a descoberta do microscópio de luz, um novo universo de seres vivos foi desvendado: os seres “pequeninos” e microscópicos. O estudo desses micro-organismos acabou gerando a necessidade de novas classificações, uma vez que já não seria mais viável a classificação somente em plantas e animais.


De 1665 até cerca de 1940, ocorreu a “Segunda fase da Classificação dos seres vivos”. Ocorreu por um período muito mais curto, no entanto, foi responsável por um grande avanço no estudo dos seres vivos: a descoberta da célula!


Em 1965, o cientista inglês Robert Hooke descreveu a célula a partir de cortes finos de cortiça observados no microscópio de luz. Mas foi com os trabalhos do holandês Antonie Von Leeuwenhoek que o estudo dos micro-organismos teve um grande salto: os animálculos. Ele escreveu, desenhou e detalhou suas observações do que viu no microscópio e enviou para a Sociedade Real de Londres, que inicialmente não acreditou em seus relatos.


No ano de 1976, após a confirmação de que os achados eram reais, a Sociedade publicou os animálculos de Leeuwenhoek para serem vistos pelo mundo todo. Hoje sabemos que entre os organismos descritos por Leeuwenhoek havia tanto bactérias como unicelulares eucariontes, referidos na época como animálculos, pois podiam se movimentar, ou infusoria, pois encontravam-se somente em meios líquidos.


Com a descrição de diversos tipos de micro-organismos e o aumento dos conhecimentos sobre os seres macroscópicos, surge o problema de como classificar a diversidade de espécies que estava sendo desvendada.


Já em 1735, Carolus Linnaeus, botânico, zoólogo e médico sueco, publicou a sua obra mais famosa: Systema Naturae (Sistema Natural). Haviam apenas 10 páginas, com reflexões sobre o conhecimento da época e correções das descrições usadas anteriormente por informações mais concisas, simples e ordenadas.

Lineu agrupou todos os seres vivos em dois reinos: o Reino Animal e o Reino Vegetal e o Reino Mineral, para os seres inanimados. Nessa época, bactérias e fungos eram consideradas plantas por possuírem parede celular. “Algas” macroscópicas e microscópicas também estavam incluídas nas plantas. Os considerados unicelulares eucariontes heterótrofos com capacidade de se deslocar eram considerados animais e classificados como protozoários.


Em 1858, quando dois pesquisadores ingleses, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, divulgaram suas ideias sobre evolução por seleção natural - aceitas até hoje - iniciou-se uma mudança na maneira de interpretar a diversidade biológica. Desde então novos sistemas de classificação foram propostos procurando estabelecer as principais linhas de evolução desses grupos. Essas classificações são conhecidas por sistemas naturais, pois ordenam naturalmente os organismos, visando compreender as relações de parentesco evolutivo entre eles.


Com o surgimento do microscópio eletrônico (1932), surgiu a Terceira fase da Classificação, uma vez que tal acontecimento propiciou estudos mais detalhados da morfologia celular. Uma das classificações que teve influência na época foi a de Herbert Copeland, que em 1936 propôs um sistema de classificação em quatro reinos, que eram:


Reino Mychota ou Monera: bactérias e cianobactérias;

Reino Protoctista: unicelulares eucariontes, multicelulares como “algas” e fungos;

Reino Plantae: multicelulares fotossintetizantes com tecidos;

Reino Animalia: multicelulares heterótrofos com tecidos. Essa proposta foi substituída, a partir de 1959, pelo sistema de cinco reinos de Robert Whittaker, estabelecendo os seguintes reinos:


Reino Monera: procariontes representados pelas bactérias e cianobactérias;

Reino Protista: unicelulares eucariontes;

Reino Plantae: multicelulares eucariontes que fazem fotossíntese (“algas” e plantas terrestres);

Reino Fungi: eucariontes multicelulares heterótrofos que absorvem nutrientes do meio, possuem parede celular de quitina;

Reino Animalia: eucariontes multicelulares heterótrofos que ingerem alimentos do meio. Embora bem aceita, a proposta de Whittaker passou por inúmeras revisões em função da deficiência de critérios para a reconstrução filogenética.


Em 1950 surgiu uma nova escola de classificação, a escola filogenética ou cladística. Aprimoraram-se os critérios para a reconstrução filogenética e estabeleceu-se uma metodologia para testar hipóteses de filogenia, ausentes até então.

A partir de 1970 até os dias atuais, as propostas de classificação estão mais relacionadas com os avanços da biologia molecular, o aprimoramento dos estudos com microscopia eletrônica e com a maior aceitação e desenvolvimento da sistemática filogenética. Podemos colocar esta como a “Quarta fase da Classificação dos Seres Vivos”.


Os seres vivos possuem DNA, RNA e proteínas e os organismos muito próximos apresentam similaridade maior entre essas moléculas. Lynn Margulis, uma das pesquisadoras mais importantes nessa fase, pautou-se em dados moleculares e ultraestruturais, e apoiou- -se na Teoria da Endossimbiose de origem da célula eucariótica para propor algumas mudanças no sistema de cinco reinos.


Nessa proposta, as autoras usaram o termo protoctista (que foi substituído por protista) para agrupar “algas” eucariontes uni e multicelulares, além de eucariontes unicelulares heterótrofos. Mantiveram o Reino Monera, subdividindo-o em dois sub-reinos: Eubacteria e Archaea. No reino das plantas consideraram apenas as plantas terrestres, e mantiveram o reino dos fungos e dos animais.


Ao mesmo tempo, surgiu outra proposta elaborada por Carl Woese (1977). Ele foi um dos pioneiros nos estudos de filogenia molecular e suas pesquisas evidenciaram que os eucariontes são muito próximos entre si, e também que os procariontes formam dois grupos distintos. Assim, estabeleceu uma categoria taxonômica superior à do Reino, o Domínio, e considerou que todos os eucariontes podem ser reunidos em um único domínio, que chamou Eucarya. No caso dos procariontes, as diferenças são tantas que dois domínios foram estabelecidos: o Domínio Archaea e o Domínio Bacteria. Dentre o Domínio Eucarya estão os reinos dos fungos, das plantas, dos animais e vários outros grupos independentes. Esses grupos independentes foram tratados no sistema de Whittaker como Reino Protista, e no de Margulis & Schwartz como Reino Protoctista. Com o passar dos anos, no entanto, vários estudos analisando maior número de caracteres, especialmente moleculares, têm reforçado a proposta de classificação de Woese em três domínios, sendo essa uma das mais adotadas atualmente. A sistemática é o ramo da Biologia responsável pela classificação dos seres vivos, sendo que este se ocupa da organização, caracterização e denominação dos grupos de seres vivos, do estabelecimento das relações de parentesco, bem como o estabelecimento das relações de parentesco entre esses grupos.


A Sistemática compreende duas partes: a Taxonomia, que trata da organização, definição e ordenação dos grupos, e a Nomenclatura, que cuida das regras para se atribuir os nomes aos grupos organizados pela Taxonomia.


Nomenclatura


Para que todos os cientistas do mundo comuniquem-se utilizando a mesma linguagem, sem que haja confusão, foi criada uma regra geral para dar nome aos seres vivos. Assim, graças a Lineu, em qualquer lugar do planeta, todos os cientistas utilizam a mesma nomenclatura científica para que não haja confusão entre eles. Para isso, devem seguir algumas regras:

i) O nome de um ser vivo deve ter dois nomes em latim (uma língua morta, não se modifica mais com o tempo);

ii) O primeiro nome refere-se ao gênero e deve começar com letra maiúscula e o segundo, refere-se à espécie e começa com letra minúscula; iii) O nome científico deve ser sempre destacado e escrito em itálico, negrito ou sublinhado. Por exemplo: Homo sapiens, nome científico dos seres humanos e que em latim significa "homem sábio".

Sistemática - Categorias Taxonômicas


As espécies podem ser agrupadas num conjunto de seres vivos semelhantes, sucedendo uma hierarquia. Assim, para Lineu, o gênero se referia a um conjunto de espécies muito parecidas. Os gêneros parecidos, por sua vez, seriam agrupados numa mesma família; os de famílias parecidas numa mesma ordem; os de ordens semelhantes numa mesma classe; os de classes semelhantes num mesmo filo e filos semelhantes no mesmo reino.


Atualmente, a classificação dos seres vivos é feita por “DOREFICOFAGE”: Domínio, Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.


Vamos olhar a classificação geral dos cães, para entender melhor como funciona essa classificação:



Classificação do cão doméstico nos diversos Táxons.





Domínio: Eukarya, eucariontes. Composto pelos seres vivos que possuem células eucariontes (núcleo separado do citoplasma celular).



Reino: Animalia, animais eucariontes e pluricelulares. Conseguem se locomover e a maioria possui reprodução sexuada.

Filo: Cordados. Grupo dos animais que possuem vértebras (vertebrados).

Classe: Mamíferos, fêmeas alimentam os filhotes através das glândulas mamárias.

Ordem: Carnívoros. São os animais que se alimentam prioritariamente da carne e outros animais.

Família: Canidae. Aqui se agrupam os cães, lobos, chacais, coiotes e raposas. No geral, . Os canídeos têm uma cauda longa e dentes molares adaptados para esmagar ossos.

Gênero: Canis, inclui o cão, o lobo, o coiote e o chacal.

Espécie: Canis lupus familiaris, o nosso querido cãozinho vira-lata caramelo (e todos os demais).


Vamos lá testar seu conhecimento?


(ENEM, 2011)


Os Bichinhos e O Homem

Arca de Noé

Toquinho & Vinicius de Moraes


Nossa irmã, a mosca

É feia e tosca

Enquanto que o mosquito

É mais bonito

Nosso irmão besouro

Que é feito de couro

Mal sabe voar

Nossa irmã, a barata

Bichinha mais chata

É prima da borboleta

Que é uma careta

Nosso irmão, o grilo

Que vive dando estrilo

Só pra chatear


MORAES, V. A arca de Noé: poemas infantis. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1991


O poema acima sugere a existência de relações de afinidade entre os animais citados e nós, seres humanos. Respeitando a liberdade poética dos autores, a unidade taxonômica que expressa a afinidade existente entre nós e estes animais é:


A) o filo.


B) o reino.


C) a classe.


D) a família.


E) a espécie.