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Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos


Neste mesmo dia, 03 de dezembro, a 37 anos atrás, um vazamento em um tanque subterrâneo de uma fábrica de agrotóxicos na cidade de Bhopal, na Índia deixou 8 mil pessoas mortas e 150 mil intoxicadas. Desde então, esse dia ficou marcado como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos, para ser lembrado do mal proporcionado à nós e principalmente ao meio ambiente.

O uso em massa dos defensivos agrícolas teve um grande aumento na década de 1950, nos Estados Unidos, com o intuito de aumentar a produtividade agrícola, a fim de modernizá-la. O uso chegou ao Brasil com muito êxito, principalmente pelo apoio do Estado sobre os agrotóxicos, em 1960, onde após ser implantado o Programa Nacional de Defensivos Agrícolas (PNDA), ganhou impulso. Desde 2008, o país é recordista mundial no consumo de agrotóxicos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de 29% dos principais alimentos das mesas dos brasileiros apresentaram irregularidades quanto ao uso de defensivos. Entre as amostras com problema, uma parte apresentava agrotóxicos acima do limite máximo permitido. A outra, substâncias não autorizadas para o alimento pesquisado. Inclusive, algumas proibidas no país, como o Hexaclorociclohexano (HCH), que estão sendo detectadas em amostras de águas, mananciais e poços. Casos como lagos e rios contaminados vêm sendo cada vez mais recorrentes por conta da grande atividade agrícola com uso de defensivos tóxicos, colocando em risco a população e os ecossistemas hídricos.

Sendo o 3º maior produtor agrícola do mundo, tendo mais de 4 milhões de produtores agrícolas, e a base alimentar para toda a população, o aumento da utilização dos agrotóxicos está atrelado ao argumento em favor do sistema agrícola moderno, que justifica ser a maneira mais eficiente para alimentar toda a população mundial e acabar com a fome. Pulverizados sobre culturas que alimentam pessoas e animais, os agrotóxicos deixam resíduos, os quais, além de causarem diversos sintomas agudos e crônicos, também contaminam o ar, solo, lençóis freáticos e toda a diversidade natural existente, reduzindo e contaminando nossos recursos naturais e alimentares.

A ingestão diária de contaminantes pode provocar diversas doenças graves, sendo os principais sintomas, na exposição crônica aos agrotóxicos, as alterações genéticas, imunológicas, malformação congênita, danos ao sistema nervoso, respiratório, hematopoiético, trato intestinal, reprodutivo, endócrino, pele, olhos, além de reações alérgicas e alterações comportamentais. As maiores vítimas da intoxicação por agrotóxicos são os trabalhadores rurais que, em sua maioria, são trabalhadores informais. Na última década, mais de 7 mil trabalhadores rurais foram hospitalizados com diagnóstico de intoxicação, porém apenas foi notificado ao Instituto Nacional de Seguro Nacional (INSS) como acidente de trabalho por volta de 700 desses casos e 200 receberam auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez.

Um outro problema ambiental é gerado pelo descarte incorreto das embalagens dos agrotóxicos. São embalagens de pós-consumo muito perigosas, não podem ser retornáveis e muito menos reutilizáveis, sendo de muita importância realizar corretamente a logística reversa dessas embalagens, na qual após o consumo, o produtor deve encaminhar corretamente aos postos de recebimentos e estes, encaminhar para o descarte correto, podendo ser para a reciclagem ou incineração, pois o descarte incorreto dessas embalagens pode contaminar o solo e os sistemas hídricos, trazendo sérios consequências à saúde.

Agora, tem como repensar o uso dos agrotóxicos, trazendo alimento para a mesa da população e ainda poupar uma boa parte da degradação do meio ambiente? Repensar o modelo agrícola brasileiro e realizar fomento à agroecologia, que respeita os processos da natureza e não provoca danos à água, ao solo e aos animais é uma alternativa possível para uma produção livre de venenos, atendendo as reais demandas dos brasileiros em relação à produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, garantindo também a saúde de milhares de trabalhadores rurais que são expostos a substâncias químicas prejudiciais à saúde diariamente. Além disso, um belo substituto para o veneno é o biopesticida, que vem sendo melhor desenvolvido, cada vez mais pelos pesquisadores, para auxiliar na diminuição de danos às hortas, causando efeitos como repelência, inibição de oviposição e da alimentação, reduzindo os impactos ambientais, já que o produto é produzido a base de plantas, sem elementos tóxicos.

Por fim, a melhor maneira de garantir a saúde ambiental e um bem estar alimentar é a escolha de quem nos representa no Congresso Nacional e de quem preza pela saúde do povo, portanto a agricultura sem veneno não é somente possível, mas se faz necessária para um futuro promissor.


Arte: Aline Freiria dos Reis; Texto: Mariana Furquim;

Flávia de Camargo M. Gomor;


Pesquisa: Aline Freiria dos Reis; Texto Instagram: Aline Freiria dos Reis.

Leonardo Plens;

Marcella Pires;

Raphael Martins


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