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Jean-Baptiste de Lamarck


Aposto que você conhece a teoria do pescoço das girafas, que em decorrência da necessidade de alcançarem os ramos mais altos das árvores, tornou seus pescoços compridos. Mudanças essas que eram passadas aos seus descendentes, assim os tornando mais adaptados à cada geração. Uma ideia que foi altamente criticada pelos cientistas de sua época e refutada após alguns anos. Mesmo assim serviu como um pontapé inicial para as teorias evolucionistas que viriam a mudar a ideia da evolução das espécies nos anos seguintes.

De alguém com uma teoria desacreditada a pioneiro da biologia evolutiva, será que Jean-Baptiste de Lamarck andou para que Charles Darwin pudesse correr? Provindo de família simples, da comuna Bazentin-le-Petit, situada na pequena região francesa da Picardia, em 1 de agosto de 1744 nasceu este cavaleiro, que desde muito jovem se interessava pelas belezas naturais que encontrava nas paisagens francesas.

O cientista francês casou-se três vezes, sendo o primeiro com Marie Delaporte, mãe de seus primeiros seis filhos, com quem se casou em 1792 em seu leito de morte. Sua segunda esposa, Charlotte, com quem casou em 1795 e faleceu em 1797. No ano seguinte, Lamarck casou-se com sua terceira esposa, Julie Mallet, que faleceu em 1819. Nos dez anos seguintes, ele ficou cego lentamente e em 28 de dezembro de 1829, faleceu em Paris, aos 85 anos de idade, por causas naturais.

Após servir o exército, se dedicou a catalogar e escrever sobre a flora de sua região. Seu grande interesse e conhecimento sobre a área dedicados em alguns volumes chamou a atenção de Georges-Louis Leclerc, o lorde Buffon, um notável naturalista da época, também defensor da “geração espontânea sobre condições favoráveis”. Este que o influenciou a ser nomeado para o Muséum National d'Histoire Naturelle em Paris, na França. Após anos trabalhando com plantas, Lamarck tornou-se curador de invertebrados que o fez se interessar pelo modo em como as espécies são diferentes entre si e como suas características variam.

Figura 1: Ilustração da teoria de Lamarck sobre o alongamento do pescoço das girafas. (Fonte: https://www.nature.com/articles/ncomms11519)


Por volta dos anos 1800, após trabalhar com os moluscos da Bacia de Paris, começou a formular sua teoria de que a mudança das espécies apareceria ao longo do tempo, e que depois de uns anos, estas características descendiam à sua prole as tornando mais fortes e assim cada vez mais “perfeitas”. Nove anos depois publicou o livro chamado “Philosophie Zoológico”, um esboço que descrevia sua teoria evolucionista em duas leis.

Ele acreditava na geração espontânea, porém como algo contínuo, que transmuta ao longo de suas gerações. Inspirou-se na teoria de Erasmus Darwin (o avô de Charles Darwin), que acreditava que os animais adquiriram novas partes em resposta a estímulos, com rodadas de “melhorias”, herdadas por gerações. Assim em sua teoria, Lamarck propôs que os indivíduos perdem características que não são necessárias e desenvolvem características que são úteis para sua sobrevivência, chamada de “Lei de uso e desuso” e, como consequência, os indivíduos herdam os traços de seus ancestrais, por fatores ambientais e/ou uso e desuso de algum certo órgão, sendo descrita a segunda lei de “Herança de características adquiridas”.

O “Lamarckismo” não foi nada bem aceito na comunidade científica francesa altamente religiosa. Que para refutá-lo proporcionaram diversos experimentos cruéis, como mutilar ratos para verificar se os seus descendentes nasciam com as características retiradas de seus genitores. Sua ideia foi recusada por não conseguir prová-la pois não possuía os conhecimentos a respeito de genética que temos nos dias atuais. Porém chamou atenção de certos ingleses que formularam teorias com ideias semelhantes. Sua teoria foi refutada porque as características adquiridas geralmente não são transmitidas a cada geração, mas foi uma tentativa importante de explicar a imensa diversidade de espécies existentes na natureza.

Para exemplificar melhor, imagine que você nasceu uma pessoa de corpo esguio e ao adquirir grandes músculos na academia e se tornar muito forte, irá transmitir essas novas características aos seus filhos que nasceram adaptados e mais fortes para sobreviver. Fazia muito sentido numa época em que pensava-se, em grande parte, que as espécies foram criadas já adaptadas aos seus ambientes e não mudaram ao longo do tempo. Mas o que explicaria tantas adaptações a diversos fatores bióticos? Lamarck introduziu a busca por essa e outras respostas descritas na Teoria de Darwin que, se interessou em certos aspectos dos estudos do francês e se baseou em sua Lei de uso e desuso. Além de elogiar seu trabalho, Charles Darwin citou como contribuição para difundir a ideia da evolução e a origem das espécies.


Embora sua ideia tenha sido desacreditada nos dias atuais, a epigenética (o estudo dos componentes que podem modificar como os genes são lidos sem alterar a sequência de nucleotídeos do DNA) bota uma bela vírgula no conceito, já que existem sinais de que os fatores ambientais na vida de um um único organismo podem alterar características realizadas por um gene sem alterar ou mutar a cadeia de DNA. Ele constitui o mesmo DNA, porém desenvolve alguma característica diferente. Então, se isso ocorre, e a função do gene pode ser alterada por alguns fatores, significa que pequenas mudanças e características adquiridas podem ocorrer em microscópicos níveis e potencialmente ser transmitidas aos seus descendentes.

Significa que, ao contrário do que Lamarck defendia, não se aplica a níveis de seleção natural das espécies, porém pode gerar mudanças interessantes em bactérias, na saúde dos ratos, nas cores de insetos e até no crescimento das plantas. Sendo assim, os traços adquiridos podem causar pequenas mudanças sem precisar alterar o DNA de um organismo, como defendia os princípios de sua teoria.

Jean-Baptiste de Lamarck foi um dos primeiros naturalistas que, apesar de ainda defender ideias teológicas e da geração espontânea, acreditava em conceitos dos quais eram improváveis para a época, em que acreditava-se que os seres vivos eram o que eram e não mudavam. Além dos naturalistas e antievolucionistas da época que dificultaram o desenvolvimento de seus estudos durante boa parte de sua vida.

Também fazem parte da evolução os erros e acertos, dos quais sem, principalmente os erros, as ideias não mudam. A história de Jean-Baptiste de Lamarck é um grande exemplo que mostra que a ciência é mutável e não considera uma verdade absoluta, a ciência é fruto da curiosidade e da busca pelo conhecimento e da observação do funcionamento do mundo que este, está em constante mudança, como dito em suas palavras:


“Todo conhecimento que não é o produto real da observação, ou de consequências deduzido da observação, é inteiramente infundado e ilusório."

Texto: Mariana Furquim;

Pesquisa: Amanda Oliveira;

Texto Instagram: Aline Freiria dos Reis.

Arte: Aline Freiria dos Reis.


Referências Bibliográficas: Rai P., Saha D., Jha A.K. (2019) Jean Baptiste Lamarck. In: Vonk J., Shackelford T. (eds) Encyclopedia of Animal Cognition and Behavior. Springer, Cham. Disponível em: <https://doi.org/10.1007/978-3-319-47829-6_978-1>. Acesso em 13 de junho de 2022. Macquarie University. Jean Baptiste Lamarck. Disponível em: <http://www.bighistoryschool.org/wp/wp-content/uploads/2018/11/5.4.2-Lamarck-1220L-US-1.pdf>. Acesso em 14 de junho de 2022.



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