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Metodologia: "Armadilha Tomahawk."



Hoje veremos um método de amostragem bastante emblemático, e que, ao pensar em armadilhas para captura de animais, é o que vem à mente popular. Levando o mesmo nome de uma arma ameríndia norte americana ou um corte de carne, as armadilhas Tomahawk são simples, práticas, versáteis, e, quando usadas da forma correta, podem ter uma alta eficácia.

Essas armadilhas são, basicamente, gaiolas de arame, geralmente em formato retangular, que possuem um gatilho que, ao animal acessar o alimento que fica no fundo da armadilha, solto ou preso por um arame em formato de gancho, deve disparar e fechar a entrada da gaiola. Este gatilho pode ser acionado ao animal pisar em um ponto específico próximo a isca, como um suporte de pressão logo atrás da isca ou o gancho em que a isca fica pendurada, e ao animal puxar o alimento para baixo faz com que o mecanismo seja acionado. Como mencionado, essa armadilha precisa de um atrativo, uma isca, para despertar a curiosidade do animal. Essa isca pode ser um alimento natural, como frutas, grãos, ou alguma proteína animal (e.g. sardinha, calabresa, ovo), mas muitos pesquisadores também optam por fazer uma mistura de diversas iscas, ampliando o leque de possibilidades. Afinal, uma sardinha dificilmente atrairá um mamífero especialista em comer frutas e grãos, não é mesmo?.

As Tomahawk's estão geralmente associadas a captura de mamíferos de pequeno porte, como pequenos roedores e marsupiais, mas, com uma armadilha de tamanho correspondente, pode incluir mamíferos de médio e grande porte. Contudo, outros grupos também podem ser amostrados com este método em situações específicas.

A versatilidades deste método o torna surpreendente, pois, usando a criatividade é possível explorar os mais diversos ambientes. É possível colocar armadilhas nos galhos de árvores buscando espécies arborícolas, ou em tocas, para objetivos mais específicos. Também pode-se utilizar em ambientes aquáticos, inclusive na captura de cágados, mas ratões-do-banhado (Myocastor coypus), Cuícas-d´água (Chironectes minimus), e outros mamíferos aquáticos também podem ser o objetivo neste caso.

Contudo, este método, assim como os pitfalls, e qualquer método que envolva a captura do animal, exige um cuidado especial, caso contrário a letalidade pode ser alta, ou podem se tornar completamente ineficientes. As tomahawks necessitam de visitas diárias, para verificar se ainda possuem suas iscas ou se capturaram alguma animal.

Caso esteja utilizando em ambientes de mata aberta, como cerrado e caatinga, é interessante que busque deixar as armadilhas m áreas de sombra ou abrigos, pois algumas horas são suficientes suficiente para levar um peludinho a óbito pelo calor. O frio também pode ser um vilão nestes casos, principalmente em dias de chuva. Nestes casos é interessante que mais de uma visita seja feita por dia. Invertebrados e animais que não são o foco do trabalho, como aves e alguns lagartos, também podem ser um problema, ainda que não tão sérios como o anterior. Mas, caso esteja colocando as armadilhas em um local com muitas formigas, é possível que sua isca não dure mais do que alguns minutos.


Apesar de não serem tão práticas quanto as Câmera trap, por serem pesadas e geralmente utilizadas em grande quantidade, o que ocupa um bom espaço, sua instalação é simples e possibilita uma flexibilidade ao longo do estudo. Ou seja, caso o local escolhido não esteja apresentando bons resultados, ou algum problema, como os mencionados anteriormente, a realocação é simples e permite manejar o método buscando a maior efetividade possível.

Assim como os demais métodos que envolvem a captura do animal, este possui todas as vantagens desta característica. Com o animal “em mãos” é possível fazer análises de ectoparasitas, retirar sangue, tirar medidas, verificar o sexo, ou até colocar brincos de identificação, para individualizar e verificar como a população está se comportando ao longo do tempo.

Por fim, as armadilhas Tomahawk são um excelente método para incluir em uma amostragem, principalmente de mamíferos. Em conjunto com os pitfalls, por exemplo, é possível cobrir a maioria dos ambientes de um local, garantindo uma boa amostragem que reflita a verdadeira riqueza de uma área. Então pegue sua caixa de armadilhas, prepare sua isca e não deixe de incluir este método em sua próxima amostragem.


Arte: Natália Lavínia A. de Souza;

Texto: Diego G. Cavalheri;

Pesquisa: Raphael Martins; Keity Souza;

Texto Instagram: Keity Souza; Raphael Martins.



Referências bibliográficas:


Ghizoni-Jr, I.R.; Graipel, M.E. Capturas acidentais de vertebrados em estudos com pequenos mamíferos no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. 2005. Biotemas. 18(1):163–180. Acesso em: 28 de maio de 2022. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/21480/19430>.


Kuhnen, V. V.; Setz, E.Z.F. Bem-estar de pequenos mamíferos capturados em armadilhas de grade . 2016. Bol. Soc. Bras. Mastozool. 75: 1–7. Acesso em: 28 de Maio de 2022. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/312020955_Bem-estar_de_pequenos_mamiferos_capturados_em_armadilhas_de_grade>.


Oliveira, G.; Passipieri, M.; Altimare, A.L.; Feba, L.G.T. Eficiência das armadilhas tipos tomahawk e pitfall na captura de pequenos mamíferos. 2007. Anais do VIII Congresso de Ecologia do Brasil. Acesso em: 28 de Maio de 2022. Disponível em: <http://www.seb-ecologia.org.br/revistas/indexar/anais/viiiceb/pdf/1674.pdf>.


Siqueira, M.L.S. Diversidade e Abundância de marsupiais na Ilha de São Luís – MA. 2021. Dissertação de mestrado.Acesso em: 28 de maio de 2022. Disponível em: <https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4518040>.

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